segunda-feira, 28 de março de 2022

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

 


 

 

Entrevista para o Jornal: O Pratense.

 

Jornalista: Silla Silva

Entrevistado: João Donizeti Alves Teodoro (Prof. Doninho).

 

Silla: Quanto tempo você atua como professor?

 

Doninho: Silla, comecei a dar aulas um pouco velho, em 2000, ou seja, há vinte anos. Eu havia parado de estudar no 1°ano do ensino médio, com quarenta e três anos voltei para a escola. Em 1998 passei para história na Universidade de Uberlândia. Viajei 14 anos nos ônibus de estudantes indo e voltando á noite depois de dar aulas.

 

Silla: Quais as matérias que você leciona?

 

Doninho: Sou professor licenciado pela UFU em filosofia e história. Sou um professor apaixonado pelo saber, ministro aulas por paixão. No dia 15 de outubro comemoramos o dia do professor, infelizmente no Brasil o professor não é bem remunerado como nos países europeus, onde o salário de um professor aproxima do salário dos políticos. No capitalismo pagamos mais por aquilo que nós valorizamos, infelizmente de modo geral, a educação não é prioridade para o cidadão brasileiro.

 

Silla: Eu queria que você contasse como está sendo dar aulas hoje com tantos desafios que com essa pandemia mudou o jeito de dar aulas, você tinha acesso ao computador, como está sendo dar aulas nesses seis meses no sistema online?

 

Doninho: Sim, já tinha acesso à internet e procurava diversificar o ensino na sala de aula. Mas nem todos os professores estavam preparados, muitos tiveram que adquirir aparelhos eletrônicos para melhorar seus trabalhos online. Apesar de estarmos trabalhando às vezes até altas horas, penso que está sendo muito importante para a evolução do estudo. A escola é um instituição muito arcaica, tanto assim, que ainda hoje uma sala de aula é muito parecida as salas das primeiras escolas. Embora nós professores termos tido muitas dificuldades aplicativos e sites dos aparelhos eletrônicos, aprendemos todos os dias novos recursos e metodologias cognitivas para trazer um ensino mais prazeroso aos nossos alunos. Há professores e professoras que estão empregando a didática até nos jogos virtuais e isso os alunos adoram. Apesar do esforço dos pedagogos e professores, sentimos que não estávamos preparados para todas essas mudanças. Mas, talvez nenhum de nós estávamos preparados para essa pandemia, que tem nos angustiado e entristecido pelas vidas que foram ceifadas dos nossos conhecidos, parentes e amigos.

 

 

quarta-feira, 4 de março de 2020

sábado, 12 de janeiro de 2019

DO PRATA OU de PRATA?


  PRATA, O NOME DA NOSSA CIDADE.

       A cidade do Prata está situada numa região que foi uma das mais inóspitas do nosso país. Para atravessar o Triângulo Mineiro era preciso passar por índios equestres como os Guaicurus, guerreiros que atacavam os bandeirantes que atreviam a atravessar esse sertão. Eles possuíam de 6.000 a 8.000 cavalos e eram aliados dos Paiaguás, exímios navegadores que escondiam dos tiros das armas de fogo, debaixo de suas canoas viradas, onde respiravam o ar que ficava preso dentro da canoa. Os Caiapós eram os mais numerosos hostis, canibais e violentos, atacavam aos gritos, passar por eles era uma terrível aventura, muitos eram mortos e devorados. Para atravessar o Sertão da Farinha Podre também era preciso enfrentar o Quilombo do Ambrósio, escravos que aqui viviam, fugidos das senzalas, saqueavam as caravanas em transito por essas bandas. 
       Como ainda não havia GPS, alguma coisa que demarcasse o lugar era de suma importância para os caminheiros. Uma bandeira que passou por essas bandas deixou uma grande quantidade de mantimentos para que na volta eles pudessem se alimentar. Como eles não retornaram, certamente foram mortos por alguns desses guerreiros do sertão. O alimento pendurado em arvores ficaram por muitos e muitos anos apodrecidos exalando um forte odor. Esse fato delimitou o lugar dando o singelo nome de Sertão da Farinha Podre.
        O Quilombo do Ambrósio foi destruído pelo o bandeirante Anhanguera, Bartolomeu Bueno que participou com apenas 12 anos da bandeira com seu pai, o Anhanguera que encontrou ouro em Goiás quando ele colocou fogo numa vasilha com água ardente e ameaçou por fogo na água dos índios Gayanás. Os índios apavorados mostraram a mina e o apelidou de  alma velha(Anhanguera). Os índios Bororos aliados dos bandeirantes construíam aldeias ao longo da estrada Anhanguera para proteger os garimpeiros que iam para as minas de Goiás. Formaram-se assim os primeiros núcleos de povoamento do “Sertão da Farinha Podre”. Antes dos Bororos muitos burros foram encontrados com os seus lombos cheios de sacos recheados de ouro pastando e por perto seu dono morto pela fome.
        Com o fim do ciclo do ouro e a necessidade de terras novas para a criação de gado, muitos fazendeiros vieram para o Sertão da Farinha Podre, que pelo encontro do Rio Paranaíba e Rio Grande, passou a se chamar Triangulo. Dona Beija morador de Araxá seduziu o Procurador do Rei para que o Triangulo voltasse a pertencer Minas Gerais. A procura de terras férteis trouxe o avô do avô do meu avô, Antônio Joaquim de Andrade que aqui construiu a primeira Câmara em 1870. E em 1873, o presidente da Província de Minas Geris, Venâncio José de Oliveira Lisboa, sancionou a lei n° 2002, de 15 de novembro, que elevou a vila do Prata à categoria de cidade do Prata.
       O primeiro nome da vila era Vila do Carmo dos Morrinhos(1848), mas como a cidade é banhada pelo rio denominado de Rio da Prata, que tem esse nome por conta de uma mitologia grega. Um lenhador deixou seu machado cair no leito do rio, entrou na água para procurar o machado, mas encontrou um de prata, o seu companheiro imediatamente jogou o seu dentro do rio, não encontrou nenhum machado. Essa lenda deu o nome ao rio de Rio da Prata. A Mitologia era usada como educação para as pessoas, o ensinamento é que não devemos ser mentirosos e oportunistas porque não agradamos a natureza, mas poderemos ser recompensados se formos honestos e verdadeiros. A cidade tomou o nome do Rio emprestado e em 1854 passou a ser chamada por vila do Prata. E em 1873, cidade do Prata.
        Há uma confusão muito grande com o nome da nossa cidade. Muitas pessoas que vêm de fora não sabem o certo se ´”de Prata” ou “do Prata”. Essa confusão aconteceu com um pároco que me confidenciou que ficava indeciso durante a pregação, qual deveria ser a forma correta?
As pessoas mais antigas sabem corretamente formular frases como: “sou do Prata e sou molhado”. As pessoas que não sabem da verdadeira origem do nome da nossa cidade fazem confusão dizendo: “cidade ‘de’ Prata”. Nunca por aqui encontramos prata, não temos casas prateadas nem tiramos o segundo lugar, com medalha de prata.
          A língua portuguesa admite na sintaxe a elipse, ou seja, a omissão de termos na oração, podemos dizer: chegamos cedo hoje. Chamamos figuras de linguagem. Temos também a Zeugma que é uma forma de Elipse: Kátia gosta de picolé eu de sorvete. Assim na língua portuguesa temos, metáfora (exagero) “estou morto de fome”, a metonímia (troca de nome) “vamos tomar um porto”, a elipse (a omissão de uma palavra ou expressão), subentendidas na frase. Por exemplo: na queda nenhum arranhão. O nome da nossa cidade é: “cidade do Rio da Prata”. Tiramos (Rio da) fica: “cidade do Prata. No sul temos a Bacia do Prata. Aqui em Minas Gerais também temos a cidade de São Domingos “DO” Prata. O antigo nome da Argentina era República do Prata: Republica Del Plata. O correto com a nossa história é DO Prata.



Obs. (Línguas latinas: italiano, francês. Romeno, espanhol e português)